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Sociedade Nacional de Sabões

 Do Blog "RESTOS DE COLECÇÃO"

Sociedade Nacional de Sabões

Foi numa parte da Quinta do Marquês de Marialva (D. António Luis de Menezes), confinada ao convento de S. Bento de Xabregas, à Rua Direita de Marvila e ao rio Tejo, onde é hoje a Rua do Açúcar que se instalou a “Sociedade Nacional de Sabões” (SNS), fundada em 1919 que resultou da união de várias indústrias que aqui laboravam, como a “Saboaria Nacional do Beato” da firma “Costa & Cruz” que ali se tinha instalado em 1912, apesar de já existir desde os finais dos anos 90 dos século XIX.
                                 Anúncio no jornal “O Defensor do Povo”, em Dezembro de 1894
                                                      
                                        
A criação da SNS foi consequência de em 1919, a empresa “Sousa & Companhia” e João Rocha, um importante industrial também ligado à saboaria , terem-se associado e formado uma poderosa indústria, criando a “Sociedade Nacional de Sabões, Lda” . As instalações iniciais foram aproveitadas das originais da extinta “Saboaria Nacional do Beato”.
          
 
Em 1945 leva a cabo uma profunda remodelação e aumento do seu parque industrial, o que a leva a construir uma série de novos edifícios :
Refeitório, biblioteca e serviços sociais
Parque para recreio do pessoal
Laboratório e serviços técnicos
Silos para oleaginosas
Fábrica de adubos
Caldeira de vapor e central eléctrica
Oficina de tanoaria
Fábrica de óleos
Parque para vasilhame
Armazém para reserva geral de óleos

A produção atingiu o seu auge nos anos 40 e 50 do século XX, tendo a ‘Sociedade Nacional de Sabões’ então adquirido este terreno sob a designação de “Quinta do Brito”.Foram demolidas todas as estruturas do antigo solar, para dar lugar a esta enorme unidade fabril que laborou durante várias décadas.
 
 
O detergente para lavar louça "Sonasol", criado em 1951, foi o produto mais famoso desta fábrica, e de Portugal. Era desta fábrica que saiam as marcas, “Margarina Chefe”, “Sabonete Beato”, “ Sabonete Mélior”“Sabão Azul e Branco” e outros produtos igualmente famosos. Depois de 1951 fabricou também detergentes, óleos industriais e alimentares, rações e fertilizantes.
     
     
Em 1956 a ‘Sociedade Nacional de Sabões, Lda.’ entra numa parceria com a ‘CUF’ e a ‘Macedo & Coelho’ e criam a ‘Sovena’, em 1956, para comercialização de óleos vegetais e sabões.
Em 1961, a Sociedade Nacional de Sabões, ainda se apresentava próspera e chegou a estabelecer um contrato com a Colgate-Palmolive para a produção dos sabonetes Palmolive em Portugal. O dentífrico Colgate e os produtos para a barba Palmolive foram produzidos pela Colgate-Palmolive em linhas de produção instaladas na antiga fábrica em Marvila.
            
 
Em seguida e lançando praticamente um produto novo por ano vêm: Sabonete Cadum(1962), pó de limpeza Ajax (1963), escova de dentes Colgate (1964), dentífrico Colgate Flúor e esfregão Bravo (1965), shampoo Palmolive (1967), after-shave Palmolive (1968), limpa-vidros Ajax (1970) e limpa-tudo Ajax (1971).
                                            1960
         
Em 1974 chegou a ser o maior grupo privado português. A capacidade empreendedora e visão estratégica transformaram um negócio familiar num conglomerado industrial, pela mão de três gerações. Os grandes concorrentes eram outros gigantes como  a “Macedo & Coelho” e a “CUF - Companhia União Fabril” .
                                       Área ocupada pela “Sociedade Nacional de Sabões”, em 1970
                           
Em 1975 a fábrica produzia, para além do “Sonasol”, outros detergentes líquidos das marcas “Lavax”, “Lavax Lãs” e “Soflan”
 
 
A SNS no final dos anos 70 do século XX empregava cerca de 500 trabalhadores, sendo 15% mulheres e 85% homens.
Aos poucos a “Sociedade Nacional de Sabões” adaptou-se aos novos tempos, pelo que o mesmo espaço de laboração da fábrica de sabão, viria a transformar-se num parque industrial integrando variadíssimas empresas, associando-se a outras tantas, também ligadas ao mesmo «core-business». Em 1981, a SNS compreendia fábricas de óleos para fins alimentares (girassol, amendoim, soja, milho, etc. e industriais, indústria para fabrico de sabões e sabonetes, mistura de detergentes, ceras para soalhos, móveis, preparação de insecticidas, etc.
Empresas associadas no início da década de oitenta:
Sociedade Comercial Ultramarina - Óleos alimentares e lubrificantes
Previnil - Compostos Vinílicos
Sovena - Glicerina e óleos vegetais
Induve - Óleos vegetais para a indústria
Sonadel - Detergentes
Marintar - Fretes marítimos e aéreos
Psicofarma - Testes psicotécnicos
Sojornal - Jornais "Expresso" e "Tempo Económico"

Empresas integradas no Parque Industrial:
Vitamealo Portuguesa, SARL - Rações para animais
Fábrica Nacional de Margarina - Margarinas de uso doméstico e industrial
Sovendal - Produtos de alimentação e higiene
Mensor - Estudos económicos
Intermarca - Produtos de higiene e beleza
Ciesa - Publicidade
Synres Portuguesa - Resinas sintéticas
D' Oro Vonder - Batatas fritas
Penta - Publicidade

Em 1989 a multinacional alemã “Henkel”, comprou a “Sociedade Nacional de Sabões”. Nesta altura, o grupo integrava 25 empresas, empregava 1.500 pessoas e tinha vendas superiores a 20 milhões de contos (cerca de 100 milhões de euros), o que representava 0,2 por cento do produto interno bruto (PIB) português. Encerrada esta de Marvila, a “Henkel” ainda manteve uma fábrica em Alverca até 2004, acabando por transferi-la para Espanha.         
                                                                       Instalações em Alverca                                                        
 
fotos in: Hemeroteca Digital, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Instituto Camões
A “Sociedade Nacional de Sabões, Lda.” entrou em processo de falência no início dos anos 90 e de toda esta aventura sobrou apenas o mirante da Quinta do Marquês de Marialva.
A decisão tomada pela família Rocha dos Santos, na última década do século passado, de desinvestir no grupo “Sociedade Nacional de Sabões” e de diversificar as suas aplicações através do mercado de capitais, culminou com a criação, em 2004, da “Ongoing Strategy Investments”, presidida por Nuno Vasconcellos.

Fábrica da Pólvora sem fumo

2 de Maio de 2012

Fábrica da Pólvora sem Fumo

Num panorama de desenvolvimento e de desafios científicos ao nível da Química que se faziam sentir na Europa, 17 o Director da Arma de Artilharia, General João Manuel Cordeiro, incumbiu em 1889 o então Capitão Correia Barreto de estudar o fabrico de uma pólvora sem fumo destinada ao carregamento das armas portáteis e das bocas de fogo nacionais. Refira-se que até 1846, época em que Schoenbein fez convergir a atenção para o Algodão Pólvora, empregava-se quase exclusivamente no carregamento de armas, a pólvora comum .
                                                             António Xavier Correia Barreto
                                                             
Luís Mardel, na sua obra Pólvoras e Explosivos Modernos, faz referência, em 1893, a esta descoberta: «A pólvora denominada Barreto, devida ao distinto oficial do nosso exército, o capitão de artilharia, sr. Correia Barreto, muito conhecido pelos seus estudos químicos, é uma pólvora sem fumo que tem por base a nitrocelulose sem dissolvente, preparada por um processo especial que ignoramos; é translúcida e ligeiramente amarelada quando cortada em lâminas delgadas».
Por consequência é inaugurada em 14 de Março de 1898, nos terrenos anexos ao antigo Convento das Freiras, ou de S. Félix, em Chelas, uma pequena oficina inicialmente designada por “Fábrica de Pólvora Sem Fumo”. Passa, então, a partilhar as instalações do antigo Convento da Freiras de Chelas com o então Arquivo do Ministério do Exército que ali já se encontrava desde 1898.

                                       Panorâmica da “Fábrica de Pólvora sem Fumo” em Chelas
                            

Tais instalações surgem sob o impulso do coronel de artilharia Francisco de Sales Ramos da Costa  (igualmente fundador da Fábrica de Material de Guerra de Braço de Prata e reorganizador do Arsenal do Exército), tendo sido seu primeiro director o então capitão de artilharia António Xavier Correia Barreto, responsável pelos estudos e experiências previamente efectuados em Portugal sobre a chamada pólvora sem fumo.
Por decreto real de Dezembro de 1902, é regulamentado o funcionamento dos diferentes estabelecimentos que constituíam o chamado Arsenal do exército, nos quais se integrava esta “Fábrica de Pólvora sem Fumo” de Chelas, que estava «destinada ao fabrico de pólvoras chimicas e de cartuchame para armas portáteis e seu carregamento com pólvora sem fumo. Haverá também n’esta fabrica as secções que forem julgadas necessárias, pelas quaes se dividirão as officinas destinadas ao fabrico dos componentes das pólvoras chimicas, á preparação d’estas, ao fabrico dos fulminatos, cápsulas, cartuchame e respectivo acondicionamento.»

                                                           Oficina de pulverização e lavagem
                                   

Esta fábrica era constituída pelas seguintes oficinas e dependências:
Oficina de cardação de algodão. Desta oficina saía o algodão convertido em pasta.
Oficina de purificação do algodão, onde este era lavado e depois cortado numa lixívia de potassa.
Oficina de pulverização e lavagem, destinada a reduzir o algodão nitrado a polpa muito fina.
Laboratório
Oficina de nitração do algodão, ode se realizava a conversão do algodão ordinário em nitro celulose.
Oficina de nitro-glicerina, onde se preparava e purificava este explosivo e se misturava com o algodão-pólvora.
Oficina de laminagem e granulação, onde se fazia a conversão da mistura de algodão-pólvora e nitro-glicerina em lâminas translúcidas de aspecto córneo e com a espessura apropriada ao fim a que se destinavam.
Estufa para dessecação do algodão
Serralharia e carpintaria para o fabrico e concerto de ferramentas e utensílios
Casa da caldeira e máquina a vapor da marca suiça «Sulzer» com 90 cv. de força
Armazéns
Carreira de tiro, onde se testavam as qualidades balísticas das pólvoras
Secretaria

                                                   Planta da “Fábrica da Pólvora sem Fumo”
                         
Correia Barreto dirigiu a fábrica até Janeiro de 1901, tendo sido ainda encarregado de dirigir o processo de ampliação, no ano de 1908. Em 1910, quando se dá a implantação da República, a Pólvora Barreto era utilizada no carregamento das espingardas de 8mm e de 6,5mm, nas carabinas de 6,5mm e no cartucho da peça de campanha de 7,5 de tiro rápido (Santos, 1911). É de referir que a descoberta da fórmula da pólvora sem fumo de Correia Barreto (e a sua posterior produção industrial) foi de vital importância para Portugal, uma vez que se conseguiu evitar o pagamento de uma avultada quantia de dinheiro que uma fábrica alemã exigia pelo segredo das manipulações químicas.

                                                         Correia Barreto no laboratório da fábrica
                                                                             
Todavia, somente em 1904, com o desenvolvimento acelerado do armamento e munições, foi reconhecida a indispensabilidade de urgentes e grandes obras de ampliação desta unidade fabril, dotando-a simultaneamente de máquinas modernas e de rendimento proporcional às necessidades crescentes. Percebendo-se então a vantagem evidente em que o mesmo estabelecimento produzisse as munições completas, foram adquiridos não só os maquinismos destinados ao fabrico de pólvoras, como também os imprescindíveis para a produção de todos os elementos metálicos do cartucho, originando a criação de novos sectores, entre os quais se destacavam pela sua importância e dimensão, a de cartuchame, a de carregamento de cartuchos e a do fabrico de ferramentas, produzindo-se nessa época significativas quantidades de pólvora sem fumo e cerca de 60.000 munições/dia para espingardas de infantaria e outras armas portáteis.

                                                          Oficina de carregamento de cartuchos
                                    

Durante a 1ª Guerra Mundial (1914-1918) a produção desta fábrica mostrou-se essencial para o fornecimento ao nosso exército, nomeadamente no que diz respeito a pólvoras de artilharia, cartuchos de espingarda, metralhadora e pistola.
Em 1922, devido ás sucessivas ampliações das instalações e exigências de recursos eléctricos para as diferente oficinas, é instalada uma nova central termoeléctrica com uma máquina «Krupp» muito mais potente que a anterior «Sulzer» de 90 cv.

                             Central termoeléctrica com máquina «Krupp», e respectivo quadro eléctrico
  
Passa em 1927 a designar-se por “Fábrica de Cartuchame e Pólvoras Químicas”.
                                         “Fábrica de Cartuchame e Pólvoras Químicas”, em 1939        
                                   

Entre os finais dos anos 20 e de 50 do século XX, a “Fábrica de Cartuchame e Pólvoras Químicas”. continuou com as duas linhas essenciais de fabrico, acentuando a produção de munições para a infantaria. Neste sector de actividade era uma unidade técnicamente completa.
Em tempos mais recentes passou a designar-se por "Fábrica Nacional de Munições de Armas Ligeiras" (FNMAL), verificando-se um novo incremento durante a II Grande Guerra Mundial, verificando-se então uma estreita colaboração entre esta fábrica e a Fábrica de Material de Guerra de Braço de Prata”.
Durante os anos 50 do século XX, as instalações das munições para armas ligeiras são transferidas para Moscavide, apesar do sector químico se ter mantido nas mesmas instalações até ao seu encerramento.

                                                          O que «sobra» das oficinas, actualmente
                                     
Nos edifícios da “Fábrica Nacional de Munições de Armas Ligeiras" (FNMAL)” em conjunto com o Convento de S. Félix, encontram-se actualmente instalados parte do Arquivo Histórico Militar e o Arquivo Geral do Exército.

S.A.R.L. ou Abel Pereira da Fonseca prós amigos

25 de Outubro de 2011

Sociedade Comercial Abel Pereira da Fonseca

Abel Pereira da Fonseca era no início do século XX um grande agricultor e empresário que possuía várias propriedades agrícolas na região do Bombarral, tendo fundado a “Companhia Agrícola do Sanguinhal” . Esta Companhia foi criada com a finalidade de administrar as suas propriedades existentes neste concelho do Bombarral e a gerir o negócio dos vinhos. Viria a possuir propriedades noutros concelhos como Cadaval, Alenquer e Torres Vedras.

                                                               Abel Pereira da Fonseca 

                                                   

A casa "Abel Pereira da Fonseca" inseriu-se no universo das grandes áreas de comércio de início do século XX, devendo ser interpretada como parte da sociedade de consumo. A primeira forma de organização comercial designava-se "Abel Pereira da Fonseca & Cª "

                                               
                                                                     Anúncio de 1898
                          

Os primitivos armazéns situaram-se na Rua da Manutenção do Estado, em Xabregas no ano de 1907. Em 1910 mudam-se para os armazéns na Rua do Amorim.

                                                Armazéns junto ao rio Tejo, na Rua do Amorim 

                            

Entre 1917 e 1930 esta empresa muda de designação, e assim:

1917 - Passa a sociedade por cotas com o nome de "Abel Pereira da Fonseca & Cª, Lda."
1918 - Com a entrada do novo sócio Marcelino Nunes Correia, a designação é alterada de novo para "Abel Pereira da Fonseca, Lda."
1930 - Finalmente, e por último, passa a sociedade anónima de responsabilidade e passa a designar-se "Sociedade Comercial Abel Pereira da Fonseca, S.A.R.L."


Em 1930  esta casa comercial tornou-se a maior de Lisboa, constituindo uma "vila", pela contínua expansão de oficinas, armazéns e casas de pessoal. Marcelino Nunes Correia, Manuel e António (seus filhos) e António Pereira da Silva são os gerentes da sociedade.

Em 1937, Abel Pereira da Fonseca vendeu a sua posição accionista na "Sociedade Comercial Abel Pereira da Fonseca, S.A.R.L.", à família Nunes Correia que ficou com a totalidade das acções, e transformou a “Companhia Agrícola do Sanguinhal” em sociedade por quotas detidas na totalidade pelo sócio fundador e seus filhos. Esta Companhia ainda hoje existe pertencendo à mesma família.

Durante muitos anos, em toda a zona do Beato e do Poço do Bispo, ouvia-se: «Já cheira a carvalho das aduelas e a vinhos de armazém». A maioria das mercadorias e produtos que abasteciam  a cidade de Lisboa chegavam pelo rio Tejo. Também a "Abel Pereira da Fonseca" alicerçou no Tejo a estrutura de circulação para a entrada e escoamento dos seus produtos, exemplo disso a opção tomada no logotipo retratando uma fragata do Tejo.

                                                      

                 Pipas de vinho e outras mercadorias a bordo de fragatas, junto ao cais do Poço do Bispo

                                                  
          
                               

O primeiro crescimento dos armazéns sobranceiros ao rio, faz-se ao longo da Rua Amorim e em 1917, é construído o novo edifício na Praça David Leandro da Silva, em Marvila.

                                       Instalações na Praça David Leandro da Silva, em 1923 …

                                 
                           
                                                                    
                                                                       … e em 1966

                                 

Este belo edifício do genial arquitecto Manuel Joaquim Norte Júnior, foi recuperado pela EXPO '98 no âmbito do projecto “Caminhos do Oriente”, de Sarmento de Matos. Hoje, que está em fase de requalificação pela CML

                    Fernando Pessoa bebendo o habitual cálice de aguardente, numa das idas ao “Abel”

                                                            

«Era comum Fernando Pessoa, enquanto se encontrava a trabalhar, levantar-se, pegar no chapéu, ajeitar os óculos e ir até ao “Abel”. Esta simples acção de Pessoa, que se tornou um hábito, intrigou um colega de trabalho do poeta, Luiz Pedro Moitinho de Almeida (segundo Fernando Pessoa - empregado de escritório, do João Rui de Sousa). Esse mesmo colega apercebeu-se, algum tempo depois, que as idas ao “Abel” eram, nada mais, nada menos, que uma ida ao depósito mais próximo da casa Abel Pereira da Fonseca para tomar um cálice de aguardente.» texto in: Companhia Agrícola do Sanguinhal.

No interior dos armazéns destaca-se a galeria em betão, espaço onde inicialmente estavam armazenadas pipas e garrafões de vinho, que mais tarde se converteria em área de administração, escritórios e laboratório. Em termos funcionais a estrutura mais imponente e importante foi o conjunto de cento e setenta cubas, com capacidade para mais de vinte milhões de litros, e dos mecanismos de transfega e filtragem.

                                              Painel de Controle “Daubron” e galerias das cubas
                                 
                                   
                                  
                                                    Filtro holandês da “Niagaran Filters Europe”

                                                      
                                      
                                                                Secção de xaropes e licores

                                         
                                    

Foram criadas as marcas de vinho "Sanguinhal" ,"Menagem" e “Valdor”, assim como a manutenção do fabrico de azeite e vinagre ligados desde sempre à imagem da empresa.

                    Bar e esplanada dos Vinhos Sanguinhal em Évora                       Vinho “Valdor”

                     

                    Painéis de azulejos publicitários ainda hoje existentes no Bulhão, na cidade do Porto

                   

Mais tarde são embalados pela empresa produtos anteriormente comercializados a granel como cereais e leguminosas secas. Por isso á criada uma rede de depósitos e distribuição principalmente para o vinho  e próximos das áreas produtivas, como Torres Vedras, Dois Portos, Runa, Vila Nova de Gaia, Cartaxo, Bombarral, etc. O armazém central e coordenador desta rede de distribuição era no Poço do Bispo.

  
                                
                                              
          
  

Outro tipo de bebidas famosas desta casa foram os licores de "A Licorista", fundada em 1896. Mais tarde em 1915 vários empresários reúnem-se e fundam a "Companhia Portuguesa de Licores", localizada nas imediações dos armazéns da "Sociedade Abel Pereira da Fonseca & Cª." e que viria a ser adquirida por esta e transferida para os seus armazéns. 

                                             

Nos anos 50 do século XX é adquirida uma rede de 25 lojas (na altura apelidadas de mercearias) de seu nome "Vale do Rio". Além de serem lojas de atendimento ao público também faziam distribuição ao domicílio num pequeno raio, dentro do respectivo bairro, feita pelos “marçanos” , funcionários da loja, que carregavam a cesta às costas com o pedido entregando em casa do cliente. Nos anos setenta a rede já contava com 140 lojas, sendo pioneira no seu segmento. Estas lojas passaram a ser os primeiros mini-mercados self-service no país.

                                    Estabelecimento “Vale do Rio” na Rua dos Fanqueiros, em Lisboa

                                   
                                                              
                                                                    Jornal publicitário em 1948

                                            
                                            foto in: Garfadas on line        

Em 1961 a “Sociedade Comercial Abel Pereira da Fonseca, S.A.”, tinha 1.200 funcionários. Em 1974 Manuel Rodrigues dos Santos e Alcino Rodrigues Pinhão passaram a novos proprietários e em 1982 era a 2ª maior empresa de comercialização de vinhos em Portugal.

Esta empresa cessou as suas actividades  em 1993. Posteriormente em 1998 a firma cedeu o espaço dos armazéns, à Câmara Municipal de Lisboa, para actividades de reanimação cultural e turística integradas no "Caminho do Oriente", em articulação com a “EXPO 98” e a “AMBELIS” - música ao vivo, arte pública, exposições, passagem de modelos, mostra de gastronomia.

                Edifício da antiga “Abel Pereira da Fonseca” na Praça David Leandro da Silva, actualmente
                                         
                               

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Arquivo Municipal de Lisboa, Instituto Camões, Cª Agrícola do Sanguinhal
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